Take-Two aciona a Justiça dos EUA para identificar autor de vazamentos de GTA 6
Pedidos de intimação (subpoenas) com base na lei DMCA miraram Microsoft e Discord; a Justiça autorizou, mas não há registro público do que as plataformas entregaram.

Em 20 de agosto de 2026, a Take-Two Interactive, dona da Rockstar Games, protocolou na Justiça federal do Distrito Sul de Nova York pedidos de intimação (subpoenas) à Microsoft e ao Discord. O objetivo era identificar quem está por trás do perfil CyberLeek, que vinha divulgando imagens de Grand Theft Auto VI (GTA 6) meses antes do lançamento, marcado para 19 de novembro. O caso importa porque mostra até onde a empresa está disposta a ir para conter os vazamentos.
Para quem não está familiarizado com o mecanismo: a lei americana de direitos autorais, conhecida como DMCA, tem um procedimento (seção 512(h)) que permite ao dono de uma obra pedir a um tribunal que obrigue plataformas a revelar dados de quem publicou material protegido. Não é um processo contra o vazador nem uma acusação criminal; é um pedido de informações para descobrir uma identidade.
O pedido à Microsoft envolve o GitHub, plataforma da empresa onde, segundo a Take-Two, material vazado foi publicado. O pedido ao Discord foi mais amplo e gerou polêmica: abrangia contas que participaram de servidores específicos desde 1º de junho, incluindo, segundo o Dexerto, uma comunidade ligada ao criador de conteúdo DarkViperAU, com mais de 100 mil membros. Os dados solicitados incluíam registros de mensagens, endereços de IP, e-mails e telefones. Usuários reclamaram do alcance do pedido nas redes.
Segundo a cobertura que consultou o processo, os pedidos foram aceitos pela Justiça logo depois de protocolados, com prazo de resposta até 4 de setembro. O diretor de marketing do Discord, Ryan Rigney, afirmou no X que a plataforma ainda não havia recebido a intimação e que avaliaria a validade e o escopo antes de responder, o que contradiz a versão da Take-Two e deixa o ponto sem esclarecimento público.
Dias depois, a Take-Two pediu uma segunda intimação ao Discord, desta vez muito mais direcionada: ela mira um usuário recém-identificado e outro já mencionado, e a empresa pediu que os detalhes ficassem sob sigilo para não alertar os alvos. Segundo o PC Gamer, o tribunal atendeu ao novo pedido. Ao justificar a mudança, a empresa disse que a investigação estava "evoluindo rapidamente". No fim de agosto, a Take-Two também retirou um pedido de informações relacionado ao Google e ao YouTube, afirmando que não precisava mais daqueles dados.
O que mudou desde então? Pouco, ao menos publicamente. Não há registro de que Microsoft ou Discord tenham entregue dados, nem de que alguém tenha sido identificado ou processado. O CyberLeek, por sua vez, divulgou em 8 de outubro um material de cerca de 25 minutos atribuído ao jogo e, em 14 de outubro, publicou uma mensagem dizendo que pararia com os vazamentos e não divulgaria o jogo completo. Segundo o Kotaku, o perfil também tinha lançado uma criptomoeda, que muitos fãs acusam de ser golpe; o vazador nega.
Nada do que o CyberLeek afirma foi confirmado pela Rockstar ou pela Take-Two, e a autenticidade dos vídeos nunca foi verificada de forma independente. Para o jogador, a recomendação continua a mesma: evitar arquivos que se dizem vazamentos, que podem trazer vírus, e esperar a liberação oficial nas lojas.
O que segue em aberto é se a ofensiva judicial vai resultar em uma identificação e em um processo de fato. A data de lançamento não foi afetada pelos vazamentos, e o pré-carregamento começa em 12 de novembro.
Fontes
- Insider Gaming (abre em nova aba)
- Hitmarker (abre em nova aba)
- Video Games Chronicle - segundo pedido de intimação ao Discord (abre em nova aba)
- Dexerto - usuários do Discord reagem ao pedido de dados (abre em nova aba)
- PC Gamer - tribunal atende novo pedido da Take-Two ao Discord (abre em nova aba)
- Kotaku - CyberLeek diz que não vai vazar o jogo completo (14/10/2026) (abre em nova aba)
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